Até o fim dos dias.

“De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida.” Bertolt Brecht

E se não tivermos certezas? e se as dúvidas, anseios e medos fossem as únicas razões de razão que tivermos? E se todos os conceitos pré estabelecidos por nós, nada mais forem do que paradigmas existentes em nossas mentes formatadas pelos enganos causados por si mesmo?

Questionar é duvidar! Duvidar é não ter segurança! Ser inseguro é possuir medo! Possuir medo é ter a certeza de que estamos vivos. A obtenção de conhecimento e a busca por tal, é a maior causa de transtornos dentro do âmago do nosso ser. Feliz daquele que não tem dúvidas, ao contrário, tem certeza, pois dele é o reino do céu!

Ser, estar, permanecer… para quê? Qual a sua razão dentro destas 3 palavras? Onde você se encontra agora? Está vivo mesmo estando morto? A vida não é muito curta para ser pequena? Se você deixar este mundo, que falta tu farás aos que estão ao seu redor? Que falta você fará a ti mesmo? Que falta faz ser quem tu és… pois você provavelmente só tem sido o que querem que tu sejas!

E se eu despertar dessa prisão que sou eu? E se não for aquilo que desejam? E se eu não for quem eu sou? E se eu não for? Por quanto tempo sustentarei o peso de não ser eu? Seguir o caminho já traçado sempre será mais fácil… Siga os pontinhos e forme o desenho de sua vida! De que vida estamos falando? Seja lá o que seja feito, o sol sempre se porá e sempre ascenderá para o renascer de um novo dia… mesmo que saibamos que um dia, não mais, ele estará!

E se suspendermos, nem que seja por algum instante, a razão? Há razão? A razão há? Nos coloquemos na posição de que razão é um sentido e uma verdade. Todas as verdades são racionais? Todas as verdades têm sentido? Elas têm uma razão de ser? Existe a verdade? Creio que sim, entretanto concordo que não! Não será a verdade nada mais do que versões convincentes?

E se naquela caixa aberta, nem mesmo a esperança restasse? Até os deuses erram? Eram deuses? Pretendo não saber! Saber?

E se deixarmos de viver como filhotes de passarinhos, que necessitam de tudo mastigado para se manterem vivos? É melhor estar vivo como marionetes vivendo sob as linhas de quem nos controla? Ou seria melhor arriscar-se ao erro, as responsabilidades destes e arrebentar as linhas substituindo-as por novas, sempre que desejarmos? entretanto nunca sob nova direção!

E se a vida nada mais fosse que uma ilusão desconfortável em busca de um conforto que jamais encontraremos? Uns o criam, outros o repudiam. Até o fim dos dias… Acordar, pensar, decidir, acertar, errar, repensar… O que eu me tornei?

Tal qual uma árvore seca em um campo distante, sem a presença de alguém. Visão perdida no horizonte, observando o céu acinzentado que se coloca a minha frente. O único som que se escuta é o vento tocando folhas inexistentes em meus galhos. Minha voz, internamente ecoa… O que me tornei?

Meus galhos, braços estendidos sobre o nada e sob a lua entristecida, quase coberta. Vejo sombras no chão, são os pássaros sobrevoando meu ser imóvel… longe estão… para o alto não consigo olhar… As sombras se movimentam… perambulam lateralmente a minha. Estática. Imutável.

E se eu puder não confundir bondade com compaixão? Estou firme. O solo me sustenta. Abraçar o fim dos dias passa a ser a minha razão. Minha voz… Ecoa… Forte, ávida, em altos brados… O que me tornei? Saberei um dia. Saberei um dia? Então… até lá! Te aguardo enfim meu eu! Até o fim dos dias.

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2 comentários sobre “Até o fim dos dias.

  1. “Ou seria melhor arriscar-se ao erro, as responsabilidades destes e arrebentar as linhas substituindo-as por novas, sempre que desejarmos?”
    Como dizem por aí. … É errando que se aprende! E que se chega ao acerto também 😉
    Minha parte preferida deste!

    Curtido por 1 pessoa

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